Ficha 06 · Cartas e mesa
Mahjong, de Solitaire Card Games
Convém começar por uma desambiguação: isto não é o mahjong de quatro pessoas, com muralha, ventos e mão fechada. É o mahjong solitário, em que se retiram pares de peças iguais de uma pilha até a mesa ficar vazia.
Classificação de 4,4 na Google Play, num género com ainda mais concorrência do que a paciência.
Não é o mahjong de quatro jogadores
A confusão é antiga e vale a pena arrumá-la. O mahjong clássico é um jogo de combinações para quatro pessoas, com regras densas e várias escolas nacionais. O solitário nasceu num computador e usa apenas as peças: 144 unidades empilhadas numa figura, das quais só se podem retirar as que estão livres de um dos lados e sem nada por cima.
Quem procura o primeiro vai ficar desiludido. Quem procura o segundo tem aqui uma implementação sólida, com figuras de dificuldade crescente e peças desenhadas com contraste suficiente para separar os bambus dos círculos sem forçar a vista.

O contador que muda tudo
Na margem do ecrã há um número chamado disponíveis, e é o elemento mais importante de toda a interface: diz quantos pares legais existem naquele momento. Quando desce para dois ou três, a partida entrou na zona em que cada escolha importa; quando chega a zero com peças ainda na mesa, acabou — não por distração, mas porque a figura se fechou.
Jogar de olho nesse contador transforma o mahjong solitário de um exercício de procura num exercício de planeamento. É a diferença entre limpar a mesa e ficar a olhar para uma dúzia de peças bloqueadas.
Fundos que ajudam e fundos que atrapalham
A aplicação traz vários cenários — uma floresta com luz filtrada, um céu com nuvens e mais alguns. Esteticamente são agradáveis; funcionalmente, não são todos iguais. Os fundos claros reduzem o contraste das peças de tom claro nas bordas da figura, e o efeito nota-se em pilhas de quatro andares.
A coluna de botões fica do lado esquerdo, com baralhar, dica e anular sempre à mesma distância do polegar. O cronómetro e a pontuação ficam nas margens verticais, fora do caminho.

Sessões curtas, cabeça arrumada
Uma figura simples resolve-se em quatro ou cinco minutos; as maiores pedem um quarto de hora. Como tudo funciona fora de linha, é a aplicação desta página que melhor sobrevive a um voo ou a um túnel de metro.
O ritmo é o oposto do carrom: aqui não há pressa nenhuma, e o cronómetro serve mais para medir do que para apressar.
Nota editorial
Um solitário de peças bem-comportado, sem ideias estranhas, com um contador que ensina a jogar melhor. Perde pé nos cenários mais carregados e na ausência de qualquer explicação para quem chega convencido de que vai encontrar o jogo de quatro pessoas.
Pontos fortes e pontos fracos
A favor
- Contador de jogadas disponíveis, que transforma procura em planeamento
- Funciona por inteiro sem ligação
- Peças legíveis, com bambus e círculos bem separados
Contra
- Alguns cenários reduzem o contraste das peças de tom claro
- Nada esclarece quem chega à procura do mahjong de quatro jogadores
Classificações
Um bom lugar para arrumar a cabeça durante dez minutos, com uma regra de planeamento escondida à vista de todos no canto do ecrã.