Saltar para o conteúdo
FineTactic

Ficha 01 · Tabuleiro

Xadrez · Jogar e Aprender

O xadrez chegou aos telemóveis muito antes de existirem ecrãs táteis, mas poucas aplicações o transformaram naquilo que esta transforma: um sítio onde se entra por dois minutos e de onde se sai quarenta depois. A aplicação da Chess.com junta partidas contra pessoas reais, um motor para treinar, uma biblioteca de problemas e material de estudo debaixo da mesma barra inferior.

Na Google Play tem classificação 4,8. É das poucas vezes em que um número tão alto não levanta sobrolhos.

O que a aplicação é, na prática

Aberta a aplicação, o ecrã inicial é uma lista de convites: jogar agora, jogar contra o computador, resolver problemas, rever a última partida. Não há assistente de boas-vindas com sete passos nem tutorial obrigatório. Quem sabe mover as peças está a jogar em menos de dez segundos; quem não sabe encontra na secção de aprendizagem um percurso que começa no movimento do peão.

O tabuleiro ocupa a faixa central do ecrã, com os relógios nas extremidades e a lista de lances por baixo. Em aparelhos estreitos essa lista encolhe para uma única linha, o que é uma decisão sensata: o tabuleiro nunca cede espaço a nada.

Tabuleiro de xadrez verde e branco a meio de uma partida na aplicação da Chess.com
Arte de apresentação da aplicação, com uma posição de meio-jogo no tabuleiro verde que a Chess.com usa por omissão.

Do relâmpago às partidas que duram dias

A escolha do tempo define a experiência inteira. Há partidas de um minuto, em que a mão conta tanto como a cabeça; há três minutos com incremento de dois segundos, o formato que mais gente joga; há dez e quinze minutos para quem quer pensar; e há o modo por correspondência, em que cada lado tem dias para responder.

É esta última modalidade que melhor se adapta ao telemóvel. Joga-se um lance na fila do supermercado, outro à noite, e a partida mantém a dignidade de uma partida pensada em vez da euforia de um duelo de sessenta segundos. Quem nunca experimentou costuma descobrir aqui que joga bastante melhor do que julgava.

Problemas: o hábito que sustenta o resto

A secção de problemas é, para muita gente, a razão de manter a aplicação instalada. Apresenta uma posição, pede o melhor lance e responde no instante seguinte. Uma sequência certa alimenta um contador que sobe e desce conforme a dificuldade das posições acertadas.

O detalhe que distingue esta implementação é o que acontece depois do erro: a posição falhada não fica por explicar. O botão de análise está sempre ao lado do botão seguinte e passar por ele custa um toque. Quem resolve duas dezenas de posições por semana nota a diferença nas partidas ao fim de um mês — não por decorar padrões, mas por começar a ver a segunda ameaça antes de responder à primeira.

Secção de problemas da aplicação, com o lance correto assinalado no tabuleiro
Secção de problemas: a solução aparece assinalada e a pontuação acumulada fica na barra inferior.

Estudo sem sair do tabuleiro

Lições curtas, vídeos e uma base de aberturas convivem no mesmo separador. A parte verdadeiramente útil é a análise automática no fim de cada partida: a aplicação percorre os lances, assinala as imprecisões e propõe alternativas. É um relatório seco, sem elogios, e serve para o que deve servir — perceber em que lance a partida deixou de estar equilibrada.

Há também adversários artificiais com nível declarado e feitio próprio, desde os que jogam como um principiante distraído até níveis que qualquer jogador de clube respeita. Escolher bem esse nível é meio caminho para não desistir na primeira semana.

Onde a aplicação pesa

Quase tudo depende de ligação. O motor de análise, os problemas e os adversários vivem do lado do servidor, o que torna a aplicação pouco útil num comboio sem rede. É preciso conta para jogar em linha, e a conta traz notificações que convém domar nas definições logo no primeiro dia.

Há ainda o peso da própria oferta: separadores, tarefas diárias, clubes, torneios, eventos. Quem só quer um tabuleiro pode sentir-se dentro de uma rede social de xadrez. A aplicação deixa arrumar parte disso; não deixa desligar tudo.

Para quem faz sentido

Para quem já joga, é a escolha óbvia e não vale a pena fingir o contrário: a quantidade de gente em linha garante adversário de nível parecido a qualquer hora do dia. Para quem está a começar, funciona desde que se aceite passar pelos problemas e pelos adversários artificiais antes de entrar nas partidas rápidas.

Para quem procura apenas um tabuleiro silencioso, sem contas e sem contadores, as damas desta mesma secção servem melhor.

Pontos fortes e pontos fracos

A favor

  • Adversários humanos a qualquer hora, com emparelhamento por nível
  • Biblioteca de problemas com explicação imediata do erro
  • Relatório automático no fim de cada partida
  • Controlos de tempo para todos os feitios, incluindo partidas por dias
  • Interface em português europeu com o tabuleiro sempre em primeiro plano

Contra

  • Sem ligação à internet sobra muito pouco
  • Conta obrigatória e uma camada social que se reduz mas não se apaga

Classificações

Google Play4,8Média pública da ficha oficial, transcrita sem arredondamento.
Nota editorial9,1Escala de 0 a 10, atribuída por quem escreve estas páginas.

É o padrão pelo qual as outras aplicações desta página acabam por ser medidas. Também é a que exige mais tempo nas definições antes de ficar confortável — meia dúzia de interruptores desligados, e o que sobra é xadrez.